Tecnologia

MacBook Pro touch chega por R$ 34.999 e muda estratégia da Apple

O novo notebook estreia com tela OLED sensível ao toque, chips M5 Pro e M5 Max e preços que chegam a R$ 57.999 no Brasil.

Por Gabriel Silva · Fundador e apaixonado por tecnologia. Estudante de Ciências da Computação.

Publicado em Atualizado em

Imagem: reprodução/Apple

A Apple anunciou em 28 de outubro o novo MacBook Pro com Tela PROLED XDR, seu primeiro notebook Mac com tela sensível ao toque. O modelo de 14 polegadas começa em R$ 34.999 no Brasil, com pré-venda já aberta e disponibilidade a partir de 6 de novembro. Na minha leitura, a mudança é relevante justamente porque a empresa passou anos defendendo uma separação entre o Mac e os dispositivos com tela touch.

A novidade chega em versões de 14 e 16 polegadas, com chips M5 Pro ou M5 Max, painel OLED em camada dupla e integração de recursos de toque ao macOS 27. A Apple não está abandonando o formato tradicional do notebook, mas finalmente admite que tocar na tela pode ser útil em tarefas profissionais. O preço, porém, coloca essa novidade bem longe do alcance de boa parte dos consumidores.

No Brasil, o modelo de 14 polegadas com M5 Pro parte de R$ 34.999, enquanto a versão de 16 polegadas começa em R$ 41.999. As configurações com M5 Max começam em R$ 53.999 e R$ 57.999, respectivamente. São valores oficiais da Apple, e não conversões de preços internacionais. A empresa informou que as encomendas começam em 28 de outubro e as vendas regulares em 6 de novembro.

A tela é um dos principais argumentos do lançamento. A tecnologia PROLED XDR usa OLED em camada dupla, com brilho de pico de até 2.000 nits, contraste anunciado de 10.000.000:1 e taxa de atualização adaptativa de até 120 Hz. A Apple também destaca o suporte aos espaços de cor P3 e Adobe RGB, características que fazem sentido para profissionais de fotografia, vídeo e design.

O toque permite rolar páginas, ampliar imagens com dois dedos, arrastar elementos entre áreas de trabalho e interagir diretamente com ferramentas criativas. Para músicos, designers e quem trabalha com modelos 3D, a tela pode reduzir a distância entre a intenção e a ação. Ainda assim, essas possibilidades anunciadas precisam ser avaliadas no uso real, especialmente em tarefas longas que hoje dependem do teclado e do trackpad.

A Apple também levou a Dynamic Island ao Mac. A área interativa reúne recursos como Spotlight, Atividades ao Vivo e Siri AI. O notebook mantém os métodos tradicionais de controle, então o usuário não precisa abandonar o trackpad para aproveitar a tela sensível ao toque. Essa abordagem parece mais coerente para um computador profissional do que tentar transformar o macOS em uma cópia do iPadOS.

O lançamento representa uma mudança de posição para uma empresa que resistiu à ideia durante anos. Steve Jobs já havia criticado a ergonomia de telas verticais sensíveis ao toque em notebooks. A Apple preferiu desenvolver interfaces próprias para cada categoria de dispositivo, enquanto fabricantes de PCs com Windows consolidaram modelos conversíveis e notebooks com touch.

O movimento também tem uma dimensão comercial. Segundo a Reuters, o mercado global enviou 33,4 milhões de notebooks com tela sensível ao toque em 2025, com preço médio próximo de US$ 1.009. O novo MacBook Pro ocupa uma faixa muito superior, portanto não parece uma tentativa de disputar volume com modelos convencionais. A aposta está em profissionais dispostos a pagar mais por tela, desempenho e integração entre hardware e software.

Há uma comparação importante com os MacBook Pro anteriores: o teclado e o trackpad continuam centrais, mas agora dividem espaço com uma nova forma de interação. A Apple já havia experimentado a Touch Bar, uma faixa sensível ao toque acima do teclado, que acabou retirada das gerações posteriores. A tela inteira oferece possibilidades mais amplas, embora seu sucesso dependa de os aplicativos realmente aproveitarem o recurso.

A empresa também promete até 24 horas de bateria, design mais fino e leve, memória unificada de até 128 GB e armazenamento de até 16 TB, conforme a configuração. Esses números mostram que a novidade não se limita ao painel. Mesmo assim, ainda faltam testes independentes para confirmar autonomia, conforto de uso, reflexos na tela e o impacto do toque em fluxos profissionais cotidianos.

O ponto que vou acompanhar é se desenvolvedores vão adaptar seus aplicativos para aproveitar a tela sem prejudicar a experiência tradicional do Mac. Também será importante observar o preço efetivo das configurações no Brasil e se a novidade chega a justificar o salto em relação aos modelos sem toque. A Apple abriu uma nova frente para seus notebooks, mas a utilidade cotidiana terá de justificar o investimento.

Plataformas: iOS